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Bossa Nova



Julho de 1958. Chegava ao fim uma tortuosa trajetória para o cantor e violonista João Gilberto e inaugurava-se uma nova etapa na música brasileira. Por uma década, o baiano de Juazeiro havia percorrido o Nordeste, o Sudeste e o Sul do Brasil, exibindo timidamente o seu estilo e obtendo pouquíssimo reconhecimento.

É bem verdade que seu jeito introspectivo e desligado, seus horários de ensaio nada convencionais e a mania de se instalar na casa de amigos sem prazo para se mudar contribuíram para construir em torno dele o mito de músico esquisito. Mas ninguém deixou de admirar seu talento para cantar e o jeito mais que original de dedilhar o violão quando ele participou do registro histórico de Canção do Amor Demais, em abril daquele 58.

Tom Jobim e Vinícius de Moraes, parceiros de pouco tempo, mas já muito entrosados, ensinavam a Elizeth Cardoso as canções do disco, que para os estudiosos é o marco inicial da Bossa Nova. O trabalho ainda era fortemente marcado pelo então moribundo samba-canção, mas nas faixas Chega de Saudade e Outra vez ganhava contornos inovadores graças à participação do músico baiano.

Para muitos, porém, foi o 45 rpm de João Gilberto, com arranjos de Tom e que trazia as canções Chega de Saudade e Bim Bom, que estabeleceu, com todas as suas características, o estilo que ganharia o mundo.

Timidamente, como o próprio artista costumava agir, a gravação, realizada no Rio em julho de 58, chegou a São Paulo, ganhou propaganda boca-a-boca, tornou-se cult, e aquela voz baixinha, acompanhada pela estranha batida, mudou o rumo da MPB.

A origem da expressão "Bossa Nova" para designar o movimento que se seguiria é discutida ainda hoje. O LP Chega de Saudade trazia o termo na faixa Desafinado ("Isso é bossa nova, isso é muito natural..."). Também atribuiu-se o nome ao jornalista Moisés Fuks, na época da redação da Última Hora. No texto de divulgação de um show que ele organizou, e que reuniu gente como Sylvia Telles, Chico Feitosa, Carlos Lyra e Nara Leão, Fuks prometia "uma noite bossa nova".

É claro que João Gilberto não criou a Bossa Nova sozinho. São apontados como antecessores o pianista Johnny Alf, o cantor Tito Madi, a cantora Sylvia Telles e o próprio Jobim de anos anteriores. Tampouco o estilo era feito só de violão e voz sussurrada. Uma das características da bossa era a de cantar a alegria, o amor bem resolvido, a praia, o alto astral, enfim, numa contraposição à madrugada, à fossa, à dor-de-cotovelo, que o samba-canção louvava.

O movimento também teve seus detratores. Antônio Maria, autor de sambas-canções como Ninguém me ama, foi um dos primeiros. Nenhum teve a virulência do crítico musical José Ramos Tinhorão, para quem a Bossa Nova nunca passou de "uma montagem da música norte-americana, uma adaptação servil do cool jazz".

A Bossa Nova chega à maturidade depois de ter sido cooptada pelo movimento estudantil pré-golpe de 64, adotada pela turma dos CPC (Centros Populares de Cultura), chegado aos morros com João do Vale e Zé Kéti, passado por um racha com Nara Leão e Elis Regina, Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, e gerado subgêneros que se multiplicam até hoje, não apenas no Brasil. Esta especial conta um pouco desta história e de seus personagens.

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