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Desenvolvimento da Colonização



Para administrar em seu nome a capitania da Coroa, o rei nomeou, com o título de governador-geral, o fidalgo Tomé de Sousa, encarregando-o de fundar uma cidade ? a primeira que a colônia teria, Salvador. Com o estabelecimento do governo-geral e a consolidação do monopólio do pau-brasil, que a Coroa logo tratou de assegurar-se, a colônia se desenvolveu, com base especialmente na lavoura e na indústria açucareira. O governo-geral foi a forma de governo até 1808, embora, desde 1641, após a Restauração de Portugal, alguns governadores passassem a usar o título de vice-rei, título que, a partir de 1720, passou a ser concedido a todos os governadores.

A capital da colônia foi inicialmente Salvador. Em 1763, contudo, o recrudescimento das lutas contra os espanhóis no Sul por causa da Colônia do Sacramento e para ficar mais perto das minas, o governo colonial foi transferido para a cidade do Rio de Janeiro, que fora fundada em 1565 em terras da capitania de São Vicente. Enquanto isso, as capitanias subsistiam, embora algumas, por compra ou abandono, tivessem retornado ao poder real. A extinção do regime só teria lugar em meados do séc. XVIII, em virtude de decreto do marquês de Pombal, primeiro-ministro de Dom José I.

Defesa do Litoral

Durante todo o séc. XVI, a colonização portuguesa estendeu-se apenas pelo litoral brasileiro, tendo como limites extremos o Rio Grande do Norte e o sul do atual litoral de São Paulo. O Brasil, aliás, era pouco mais do que isso, de acordo com o tratado de Tordesilhas (7/6/1494), assinado entre os reis de Portugal e Espanha. Não ia além das terras situadas entre o oceano e uma linha (meridiano) que ligava Belém, no Pará, a Laguna, em Santa Catarina, segundo cálculos recentes. Mas, em quase todo esse litoral, o pau-brasil e a cana-de-açúcar floresceram, atraindo a cobiça de comerciantes europeus. Por causa do pau-brasil, desde 1504 os franceses andaram explorando a costa brasileira, mas somente em 1555 procuraram, por intermédio do vice-almirante Nicolas Durand de Villegaignon, estabelecer uma colônia: "a França Antártica". O governador-geral do Brasil, Dom Duarte da Costa, não dispondo de recursos, nada pôde fazer para expulsá-los. Somente depois de 1560 é que seu sucessor, Mem de Sá, encetou a luta contra os invasores, luta que se prolongou até 1567. Nela perdeu a vida seu sobrinho Estácio de Sá, fundador da cidade do Rio de Janeiro (1º/3/1565). O governador-geral em pessoa comandou a luta final, saindo vitorioso dois anos depois, quando forçou os franceses a se retirarem do Rio de Janeiro. Nessa ocasião, transferiu a cidade, fundada junto ao Pão de Açúcar, portanto logo à entrada da barra, para um ponto mais resguardado, dentro da baía, no alto do morro de São Januário, depois do Castelo, hoje arrasado.

Não foi essa, entretanto, a única tentativa de colonização encetada pelos franceses no Brasil. Nos últimos anos do séc. XVI, Charles des Vaux e Jacques Riffault estiveram no Maranhão, ainda totalmente desocupado pelos portugueses, e, no retorno à Europa, conseguiram convencer o rei Henrique IV e, depois, a regente Catarina de Médicis a promover a fundação da França Equinocial. Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, à frente de uma expedição, fundou a cidade de São Luís, de onde, no entanto, os franceses seriam expulsos pouco tempo depois (1615), por ação de Jerônimo de Albuquerque e Alexandre de Moura. Também corsários ingleses atacaram, por diversas vezes, vários pontos do litoral brasileiro, mas apenas para pilhar, como o fizeram, por exemplo, Robert Withrington, na Bahia, e Thomas Cavendish, em Santos e no Espírito Santo. Bem mais sérias foram as tentativas de colonização promovidas pelos holandeses na Bahia (1624-1625) e em Pernambuco (1630-1654), por causa da cana-de-açúcar. Na capital da colônia não foi possível fixarem-se, pela grande resistência dos colonos e os reforços enviados pela Coroa, sob o comando de Dom Francisco de Moura e Dom Fradique de Toledo Osório. Mas em Pernambuco, após um primeiro período difícil, quando quase foram vencidos pelos colonos que se haviam fortificado no Arraial do Bom Jesus, sob o comando do governador Matias de Albuquerque, conseguiram, graças ao auxílio de Domingos Fernandes Calabar, não apenas destruir o Arraial, mas também ampliar sua dominação até o Rio Grande do Norte. O período áureo da dominação holandesa foi entre 1637 e 1645, quando a Companhia das Índias Ocidentais manteve como governador das terras conquistadas o conde João Maurício de Nassau-Siegen. Quando, rompendo com a Companhia, Nassau abandonou o governo e retornou à Europa, os colonos, tendo à frente João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Antônio Filipe Camarão (o índio Poti) e o negro Henrique Dias, promoveram a Insurreição Pernambucana, vitoriosa em 1654 (armistício da Campina do Taborda). A paz entre Portugal e Holanda, entretanto, só seria assinada em 1661, com sensíveis prejuízos para os colonos que tanto haviam lutado em defesa da terra. No séc. XVIII, dois corsários franceses, a serviço de Luís XIV, Duclerc (1710) e Duguay-Trouin (1711), atacaram, para saqueá-la, a cidade do Rio de Janeiro, mas apenas o segundo obteve certo êxito.


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